quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Pensamentos oniscientes



É bem curioso como o “Ceasa lotado” estimula a minha imaginação, pegar a condução sempre no mesmo horário me faz íntima, sem ser de fato, dos demais passageiros pontuais.
Eu fico observando algumas personagens desse cenário, ora trágico, ora cômico, ora desesperador e deprimente, de uma forma quase maluca. Já dei nome a todos eles, se fulano tem cara de José, vai ser José até eu chegar na minha parada e descer.
Hoje vou contar a estória da Sandra (nome fruto da minha especulação), quando eu subo no ônibus ela já está, quase sempre acompanhada da “filha”, quase sempre no mesmo lugar. Sandra trabalha na Fundação Vale Música, local onde a “filha” estuda, é loira, 1,60m, olhos verdes, apesar desses atributos, no contexto eles são confusos, quase a deixando feia. No dia em que ela colocou o aparelho ortodôntico quase todo mundo percebeu, menos a cobradora, que só comentou no outro dia. A Sandra me chama atenção pelo seu olhar nervoso e quase antipático.
Esse pequeno resumo sobre o que ela pode ser e se chamar de verdade é para tentar demonstrar o quanto somos malucos. Como podemos fazer tantas especulações acerca do desconhecido e o pior ainda tomar como verdade. Se torna tão verdade, que hoje, a Sandra não estava no ônibus, eu senti falta e até me preocupei. Será que está doente? Será que morreu? Perdeu o emprego? Tantas perguntas soltas e em menos de 1 segundo me dei conta que as respostas não importavam, porque nada daquilo existia. Apenas a ausência de um passageiro, no mesmo ônibus e no mesmo horário de todos os dias. Amanhã quem sabe ela aparece. E, se mudou de endereço, certamente vai ganhar outro nome e outra vida.

Um comentário:

Anônimo disse...

Engraçado como todos nós somos parecidos, apenas externamos de forma diferente!!

Parabéns pelos textos.