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| Assim caminha a humanidade |
Ontem eu havia acabado de subir no ônibus e me acomodado em uma das cadeiras do corredor quando começou uma gritaria misturada com choro e pedidos, levantei a cabeça para alcançar com os olhos de onde estava vindo a "confusão". Era um moço com uma receita na mão pedindo algum tipo de ajuda - "qualquer uma ajuda"- para comprar remédios para a sua filha que estava muito doente. Foram 3 longos minutos vendo o suplício daquele homem e nada me causou, nem pena e muito menos compaixão.
Primeiro porque achei o homem saudável (poderia está fazendo qualquer serviço por aí), segundo porque vejo isso todos os dias e terceiro e não menos determinante, a receita ja se encontrava emplastificada.
O teatro deveria ser triste, ou me causar um pouco de angústia, mas eu repito não senti nada e não me sinto menos humana por isso, me sinto contribuindo com a falência da miséria no nosso país.
Tenho uma lembrança muito forte da minha avó dizendo que criou 10 filhos, todos os 10 passaram necessidades juntos e nenhum foi mandado a pedir esmola tampouco ela. Há quem discorde e diga, que feio é roubar e vive sendo enganada por isso.
São outros sofrimentos que me causam dissabores e deles não convém falar agora, o fato é que ninguém vive da boa fé (ou até vive, mas não da minha), há muita gente sem caráter, aproveitadora, muitas vezes usando crianças inocentes, roubando uma infância que já não é nada fácil dessa forma anunciando uma vida adulta sem perspectivas.
Eu me choco é com o outro lado da moeda, com a capacidade de dissimulação e exploração da boa vontade alheia.
Não me senti mal por não ajudar uma mentira, me senti ultrajada e com vontade de berrar assim como o homem para os outros passageiros, todas as coisas que vieram na minha cabeça e todos as observações que eu fiz em 3 longos minutos.
Comigo não, "mermão"!!

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