Ainda não sei
se a tão temida crise dos 30 vai se apoderar de mim, talvez sim. Talvez
inclusive tenha se antecipado. Já faz um tempinho que comecei uma auto
avaliação das minhas três décadas semi vividas. E quer saber? Não cheguei a
nenhuma conclusão sensata!
Não tenho
filhos, não tenho imóveis, não tenho carro, não tenho emprego estável. Aliás,
estabilidade é um conceito complicado de definir, mas tenho certeza que o que
menos existe na minha vida é estabilidade. O que sei é que tenho um amor, uma
família que não se mete na minha vida e na medida do possível me apoia, poucos
e bons amigos, uma faculdade pela metade que mais parece um beco sem saída (mas
pelo menos todo mundo que já passou por isso me disse que é assim mesmo). Mas o
melhor de tudo é que não tenho dívidas gigantescas, nem morais nem financeiras.
Ufa!
Mas o mais
complicado é que não sei se quero filhos, se quero imóveis ou um trabalho
estável. Bom, o trabalho sim eu gostaria de ter. Mas estabilidade também
significa criar raízes, coisa que às vezes o meu lado nômade insiste em não
aceitar. Engraçado e contraditório, pois me sinto muito confortável pensando em
dividir uma vida inteira com alguém. ESTABILIDADE EMOCIONAL. É a eterna
dicotomia entre andar em círculos ou por uma estrada em linha reta, entre
lançar-se no espaço ou pisar os pés da terra.
Enquanto
isso, sem ter nada 100% claro, eu vou vivendo um dia de cada vez. Alguns dias
com mais crises que outros, vou sorrindo, chorando vez ou outra, tropeçando e
levantando. Quem sabe um dia eu caiu bem nos braços da plenitude.

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