terça-feira, 13 de novembro de 2012

Porque não é leve?


Ele sempre foi ativo, vivia em pé em seu comercio e dizia: " se senta o fregûes não entra." e no fim da vida, foi sentando aqui, sentando ali, cavando seu lugar no sofá, silenciando e murchando como uma plantinha. 

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A morte gradativa me faz pensar muito na vida e em como deveríamos todos poder ir morrendo assim, lentamente (mas sem sofrimento), para que pudéssemos ter mais chances de aprender sobre aquilo que insistimos em não aceitar. Ele me deu a chance de compreender fisicamente o fim. Minha tristeza foi se diluindo nos seus últimos dias de vida e vê-lo se redimindo de algumas coisas nem tão boas que fez "em saúde" foi confortante e, eu diria, um presente da vida pra mim. Pude me despedir aos poucos, na mesma velocidade em que ele se despedia da vida, a cada visita eu recordava um sorriso, um palavrão e um carinho. Foi GRANDE o reencontro, ele não reconhecia mais ninguém e reconheceu a neta que só lhe dava orgulho, conseguiu dizer algumas palavras, ficava horas segurando as minhas mãos, como se me quisesse SEMPRE ali com ele. Eu sempre estive.
Nem tão poetica assim, foi a sua luta para continuar entre nós. Mesmo não sendo a minha, conheci a morte em estado bruto, físico, o pó. Nessa ordem! Ele sofreu. Eu sofri. E ele perdeu. E eu também perdi. Mas eu já havia me despedido e ele também. Acho que ele não compreendeu muito bem o significado da palavra "DESPEDIDA". Ele me visitava sempre, eu o sentia, sentia o seu cheiro quando ele vinha e quando ele ia deixava paz. E como a vida, as visitas também foram desaparecendo lentamente.
E a vida é assim, tão parceira da morte. Engano de quem acha que a morte é cruel, cruel é ter um amor tão grande por alguém e a VIDA se encarregar de coloca-lo na caixinha do "quase esquecimento". 

E aqui eu cantarolo uma música sertaneja. REALMENTE a vida continua!

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