quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Prazer, tia da Julia


Meu nome é Lina. Minha mãe me chamam de Lina mesmo, minhas tias de Flor, meus amigos de Linoca, e por aí vai. Gosto demais do meu nome, mas a verdade é que, de uns tempos pra cá, estou ficando mega ansiosa para ser chamada de “tia”.
A forma como soube que minha irmã estava grávida foi bem ao estilo da família Lobo, minha mãe me acordou num sábado de manhã e disse, como quem diz o que quer almoçar, "a Amanda tá grávida, vou viajar e tu faz o favor de conversar com ela e contar a notícia pro teu irmão, tchau!". Simples assim. 
A emoção foi tão grande que eu sequer consegui esconder as lágrimas. É claro que eu não sabia muito bem o que esperar, mas a ideia de ter um bebê assim tão perto, fruto de alguém que eu amo tanto, foi, no mínimo, fascinante.
Várias vezes fiquei pensando em como seriam os olhos, como seria o cabelo, o rostinho, todas essas coisas, como se minha ela fosse, mas estivesse na barriga da minha irmã. E então ela chegou. Impossível não achá-la linda, a coisa mais linda do mundo! 
Penso que poucas mulheres tem o privilégio de experimentar o que eu chamo de “amor de tia”. Aquele que você sente antes de ser mãe, quando se depara com uma cópia de alguém que você ama muito, reproduzida em tamanho mini e que exige carinho, cuidado e a concretização da magia apenas por existir. Não tem como você ficar imune ao amor de tia... Ele é arrebatador! 
Entre outras coisas, sobre tudo, nos tornamos pessoas com problemas neurológicos, falamos numa língua que nem vc, nem a criança e nem ninguém seria capaz de entender. Fora que em vez do seu cérebro memorizar coisas realmente úteis para a sua vida profissional, você aprende todas as música dos três DVD's da galinha pintadinha e faz caretas ridículas só para ele/ela parar de chorar, tira 300 fotos/vídeos e sai mostrando para todos os amigos como se fosse a coisa mais sensacional do mundo, ou apenas fica olhando ela dormir com cara de lesa, esperando ela acordar mal-humorada pra você achar graça. 
Por fim, considerando as pequenas obrigações que tenho como tia (ainda mais se comparada às obrigações dos pais), farei o possível para que ela goste e respeite os animais, tenha um gosto musical apurado e faça sempre algum esporte. E, é claro, nunca se esqueça do quanto a “tia” a ama... E que eu sempre estarei por perto, dela e de sua mãe...

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