E quando você passa, abruptamente, da condição estável e bem sucedida no coração de alguém, para a condição de quase nada ou descartável? Ah, isso faz um mal para alma, você parece ter sido picada por alguma espécie de cobra, que eu nem sei se existe, mas que tem um veneno ao mesmo tempo letal, torturador. Pois vai matando você aos pouquinhos, vai entrando na sua corrente sanguínea e fazendo doer cada pedacinho do seu corpo, e se deliciando com toda a cena, transformando assim a dor dessa condição em dor física.
Nunca consegui entender a indiferença que toda a separação traz, fica tudo de outra cor, parece que o mundo não é o mesmo no qual nascemos, o sorriso das pessoas perdem o brilho e você vai ficando cada vez mais dura e vazia. E nada disso faz sentido, pois o teu “algoz” continua ali, inexorável.
E a hora de desistir? E a sua dignidade? E o amor próprio? E o foda-se? São tantas questões e nenhuma fala mais alto que o seu amor. É um amor que quer, querendo deixar. Que ama cheio de críticas, que se anula sendo egoísta, que aplaude sendo julgador. É um paradoxo incessante que guerrilha aqui dentro e que me deixa confusa em meio de lágrimas, lamentos e dor.
E nesse trâmite da vida, vou tentando seguir, com a cabeça no mínimo erguida, pois dessa vez eu consegui fazer a coisa certa, consegui ser limpa, honesta, fiel, dedicada, amiga, companheira, verdadeira, alegre, comediante, plateia, psicóloga... e tudo mais que um namoro para ser perfeito pede, ele não foi perfeito porque eu não consegui fazer ele respirar e então ele morreu.
Quem dera ele fosse um gato.
P.S.: Não ando numa fase muito boa da minha vida, aí fico enchendo o saco das pessoas com esse tipo de texto.

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